Mitos da origem do universo: Cosmogonia e Cosmogênese

Imagine um ser humano ancestral, milhares de anos atrás, sentado ao redor de uma fogueira sob um céu coalhado de estrelas. O vento sussurra na escuridão, e uma pergunta primordial sobre os mitos da origem do universo ecoa em sua mente: “Como tudo isso começou?”

Agora, dê um salto no tempo e visualize um cientista moderno em um laboratório, diante de um monitor que exibe dados da radiação cósmica de fundo – o eco do próprio Big Bang. A pergunta continua a mesma.

Ao longo da história, essa busca pela origem do universo seguiu dois grandes caminhos interpretativos: a Cosmogonia e a Cosmogênese.

Compreender essas duas narrativas é essencial para entender como diferentes culturas e campos do conhecimento explicaram — e ainda explicam — o nascimento do cosmos.

Cosmogonia e Cosmogênese

Ao longo da história humana, a pergunta sobre o início de tudo deu origem a duas formas distintas de interpretação da realidade, que moldaram nossa compreensão do universo por caminhos diferentes: o da Cosmogonia e o da Cosmogênese.

Este artigo funciona como um ponto de partida conceitual, pensado para quem deseja compreender as diferenças essenciais entre essas duas narrativas da origem do cosmos. Mais do que definições acadêmicas, trata-se de uma investigação sobre como o ser humano buscou — e ainda busca — sentido e explicação para sua própria existência.

De um lado, a Cosmogonia – o reino dos mitos da origem do universo, das divindades e das histórias sagradas. Ela não busca apenas uma explicação mecânica, mas um significado.

Ela nos conta que um deus desmembrou um gigante para formar a terra e o céu, que um herói celestial separou os pais Céu e Terra para criar o mundo, ou que um Verbo poderoso pronunciou “Haja luz!” sobre o abismo.

A Cosmogonia é uma narrativa tecida com a linguagem do simbolismo, destinada a nos dizer por que estamos aqui e qual o nosso lugar no grande esquema das coisas.

Do outro lado, está a Cosmogênese – o domínio da ciência, da filosofia e das leis físicas. Ela não pergunta “por quê”, mas “como”. Seu palco não é o mundo sobrenatural, mas o universo observável, regido por equações matemáticas e processos naturais.

Sua narrativa épica é a da expansão do espaço-tempo, da formação dos primeiros átomos a partir de um plasma incandescente, e da lenta aglomeração da matéria em galáxias, estrelas e planetas pela força implacável da gravidade. A Cosmogênese é uma história de mecanismos, não de intenções.

Ao explorar esses dois caminhos, você não precisa escolher um lado. Eles representam respostas diferentes a perguntas diferentes. Compreender essa distinção é o primeiro passo para navegar com clareza pelos múltiplos debates, mitos da origem do universo, que serão aprofundados em outros conteúdos aqui no blog.

Definindo os pilares conceituais

Agora que estabelecemos o panorama geral, é hora de lançar os alicerces conceituais. Para navegar com confiança pelo vasto oceano de mitos e teorias, precisamos de uma bússola confiável.

Vamos, portanto, buscar definir com precisão os dois conceitos que guiarão nosso caminho: Cosmogonia e Cosmogênese.

Cosmogonia: a narrativa do significado

A palavra Cosmogonia vem do grego antigo: kósmos (universo, ordem) + gónos (geração, nascimento). Literalmente, significa “o nascimento da ordem”. E esta é a chave: a cosmogonia não é apenas uma história sobre o começo, mas sobre a imposição de uma ordem significativa a um caos primordial.

As cosmogonias são, em sua essência, narrativas sagradas. Elas pertencem ao domínio da religião, da mitologia e da cultura. Algumas das características marcantes da cosmogonia são:

  • Agentes sobrenaturais: a criação é um ato intencional realizado por deuses, divindades ou forças conscientes.
  • Ordem versus caos: quase universalmente, a cosmogonia começa com uma espécie de caos — águas primordiais, escuridão, um vazio sem forma. O ato criativo é a vitória da ordem (o Cosmos) sobre este caos.
  • Explicação da realidade presente: a cosmogonia serve para validar e explicar o mundo como ele é hoje.
  • Resposta ao “porquê”: a cosmogonia responde a perguntas de significado e propósito.

Em suma, a Cosmogonia é a biografia mitológica do universo, uma história que confere sentido e propósito à existência.

Cosmogênese: a narrativa do processo

Cosmogênese, por sua vez, deriva de kósmos + génesis (origem, formação). A diferença terminológica é sutil, mas crucial. Enquanto a cosmogonia fala do “nascimento da ordem”, a cosmogênese fala da “origem e formação do cosmos” como um fenômeno a ser investigado.

A cosmogênese é filha da razão e da observação. Ela habita o domínio da filosofia, e posteriormente, da cosmologia científica. Suas características se contrapõem diretamente às da cosmogonia:

  • Leis naturais e processos: a criação e a evolução do universo são explicadas por mecanismos impessoais e leis físicas.
  • Abordagem processual e contínua: a cosmogênese raramente vê a criação como um evento único e pontual no passado. Em vez disso, ela descreve um processo contínuo de transformação.
  • Base em evidências: a narrativa da cosmogênese é construída sobre observação, experimentação e modelagem matemática.
  • Resposta ao “como”: a cosmogênese não se preocupa com o propósito último. Sua questão central é como as coisas funcionam.

A Cosmogênese é, portanto, a história natural e física do universo, um relato em constante atualização sobre os mecanismos que moldam a realidade.

Tabela comparativa: uma síntese

Característica
Cosmogonia
Cosmogênese
Natureza
Mítica, Religiosa, Narrativa
Científica, Filosófica, Processual
Foco
Origem e estrutura ordenada do cosmos
Processo de formação e evolução do cosmos
Agentes
Deuses, seres sobrenaturais, forças conscientes
Leis da física, forças fundamentais, processos naturais
Base
Tradição, fé, revelação, simbolismo
Observação, evidências, modelos matemáticos
Temporalidade
Ato único no passado mítico
Processo contínuo ao longo do tempo cósmico
Pergunta Central
Por quê? Para quê?
Como?

O mundo da Cosmogonia: uma viagem pelos mitos da criação

Se entendermos a Cosmogonia como a narrativa do significado, então estamos falando de um mapa de tesouro da alma humana.

Através dos mitos da origem do universo, cada cultura não apenas descreve o nascimento do mundo, mas também codifica seus valores, seus medos, sua visão de sociedade e sua relação com o divino.

O crescente fértil: ordem a partir do caos aquático

  • Cosmogonia Suméria e Cosmogonia Babilônica (Épico Enuma Elish): a criação como um ato de violência e soberania. O deus Marduk mata o monstro aquático Tiamat e, com seu cadáver, constrói o mundo. A humanidade é criada para servir aos deuses.
  • Cosmogonia Egípcia, Antigo Egito (Heliópolis): a criação como autogeração. O deus Atum surge das águas primordiais de Nun e, sozinho, dá origem à primeira geração de deuses. O ar (Shu) separa o céu (Nut) da terra (Geb), criando o espaço habitável.
  • Cosmogonia Zoroastriana (Avesta e Bundahishn): a criação como um conflito moral cósmico. O mundo é criado bom e perfeito por Ahura Mazda, mas é invadido e corrompido por Angra Mainyu, o princípio do mal. A criação material torna-se o campo de batalha entre Luz e Trevas, e a humanidade surge como aliada ativa do bem, dotada de livre-arbítrio para influenciar o desfecho final do cosmos.

As Cosmogonias Abraâmicas: palavra, logos e vontade soberana

  • Cosmogonia Judaica (Gênesis): a criação pela palavra de um Deus único e transcendente. O cosmos surge por um ato soberano de Deus que cria a partir do nada (ex nihilo) e ordena o caos por meio do verbo. A criação é fundamentalmente boa, e a humanidade, feita à imagem de Deus, recebe a responsabilidade de cuidar e governar o mundo como zeladora da criação.
  • Cosmogonia Cristã (Evangelho de João e tradição apostólica): a criação pelo Logos que se encarna. O agente da criação é identificado como o Logos eterno, que se manifesta historicamente em Jesus Cristo. A criação não apenas tem origem em Cristo, mas caminha para a redenção e a “Nova Criação”, na qual matéria e história são restauradas e transfiguradas.
  • Cosmogonia Islâmica (Alcorão): a criação pela vontade absoluta de Allah. O universo existe porque Allah ordena “Seja!” (Kun fa-yakun). A criação é perfeita, ordenada e totalmente submissa às leis divinas. O ser humano surge como khalifah (vice-regente) na Terra, responsável por reconhecer os sinais de Deus no cosmos e agir com justiça perante o Criador.

A clareira grega e os deuses nórdicos

  • Cosmogonia Grega (Hesíodo, “Teogonia”): o princípio é Caos (o Vazio). Dele surgem Gaia (a Terra) e outros deuses primordiais. A criação é uma sucessão de soberanias divinas marcada pelo conflito entre gerações (Urano versus Cronos, Cronos versus Zeus).
  • Cosmogonia Nórdica: a criação a partir de um sacrifício cósmico. Os deuses Odin e seus irmãos matam o gigante primordial Ymir e usam seu corpo para fabricar o mundo. A ordem é construída a partir dos restos do caos.
  • Cosmogonia Celta: a criação como conquista mítica e pacto com a terra. Narra a origem do mundo habitado como uma sucessão de invasões, batalhas e acordos entre povos divinos e humanos. A ordem surge da relação sagrada com o território, onde a soberania depende da harmonia entre reis, deuses e a própria natureza viva, animada e imanente.

As filosofias e ciclos do oriente

  • Cosmogonia Hindu: baseada em duas visões. Enquanto o Hino da Criação (Nasadiya Sukta) expressa uma dúvida cósmica sobre a origem, o Hino do Purusha descreve a criação como o desmembramento de um ser cósmico primordial, cujas partes formam o universo e a sociedade.
  • Cosmogonia Budista: rejeição de um começo absoluto. O universo é visto como cíclico e sem um ponto de partida discernível, com incontáveis “sistemas-mundo” surgindo e se dissolvendo impulsionados pelo karma.
  • Cosmogonia Jainista: um cosmos eterno, sem criador e regido por leis impessoais. A realidade é composta por seis substâncias eternas (dravyas), incluindo as almas (jivas) e a matéria (pudgala), que interagem ao longo de ciclos infinitos de tempo. Não há um deus criador ou interventor: o universo é autossuficiente, e a libertação depende exclusivamente do esforço individual para purificar a alma da matéria kármica.
  • Cosmogonia Chinesa (Taoísta): origem a partir do Wu Ji (o Vazio), que se diferencia no Tai Ji (o Grande Absoluto), gerando Yin e Yang. O mito de Pangu narra como um gigante emerge de um ovo cósmico e, ao morrer, seu corpo se transforma em todas as partes do mundo.
  • Cosmogonia Xintoísta: a criação como procriação divina e sacralização do Japão. O mundo nasce da união de Izanagi e Izanami, que geram as ilhas japonesas e os Kami, estabelecendo a origem da vida, da morte e dos rituais de purificação, além de legitimar a linhagem imperial como descendente direta do divino.

Cosmogonias africanas: ordem cósmica, ancestralidade e conhecimento sagrado

  • Cosmogonia Dogon (Mali): a criação como vibração, sacrifício e ordem estelar. O universo nasce do Ovo do Mundo concebido por Amma e é estabilizado pelo sacrifício do Nommo, integrando palavra, matemática e um notável saber astronômico ligado ao sistema de Sírius.
  • Cosmogonia Iorubá (Nigeria/Benin): o deus Oduduwa, enviado por Olodumare, cria a terra firme (Ilê-Ifé) espalhando terra sobre as águas primordiais com a ajuda de uma galinha.
  • Cosmogonia Copta (Egito cristão): a criação ex nihilo e a ruptura com o panteão faraônico. O cosmos surge por um ato soberano do Deus único e transcendente, substituindo a emanação divina egípcia por uma criação a partir do nada, baseada na palavra e na vontade divina.

As vozes dos povos originários das Américas

  • Cosmogonia Asteca: o universo nasce e se mantém por ciclos de criação e destruição. Os Cinco Sóis revelam um cosmos sustentado pelo auto sacrifício divino, onde o sangue humano alimenta o sol e adia o colapso final.
  • Cosmogonia Maia (Popol Vuh): a criação por tentativa e erro. Os deuses finalmente criam a humanidade a partir do milho, estabelecendo uma ligação profunda entre as pessoas e a agricultura.
  • Cosmogonia Tupi-Guarani: o mundo nasce do sopro e do canto de Nhanderuvuçú e permanece incompleto. A existência humana é uma peregrinação ritual guiada pela palavra sagrada, em busca da Terra Sem Mal, origem da perfeição perdida.
  • Cosmogonia Inca: o mundo é criado por Viracocha e mantido pela imposição contínua da ordem sagrada. Mito, território e estado se fundem no Tawantinsuyu, onde o Sapa Inca governa como mediador entre o cosmos e a humanidade.
  • Padrões Cosmogônicos da América do Norte: em vez de um mito único, surgem temas recorrentes como o Criador-Trapaceiro (Corvo ou Coiote), a Emergência a partir de mundos subterrâneos e a noção de parentesco cósmico. A criação é vista como um processo relacional, ético e contínuo, profundamente ligado ao território, à comunidade e ao equilíbrio com a natureza.

As vozes dos povos originários da Oceania

  • Cosmogonia Aborígene Australiana: o “Tempo do Sonho” é uma era atemporal onde Antepassados Espirituais cantaram o mundo à existência. A criação é um processo contínuo, mantido vivo por rituais.
  • Cosmogonia Maori (Nova Zelândia): a separação trágica e amorosa dos pais Ranginui (Céu) e Papatūānuku (Terra) por seu filho Tāne Mahuta, criando o mundo da luz.

A emergência da Cosmogênese: da filosofia à ciência

Os primórdios filosóficos

Os filósofos Pré-Socráticos na Grécia Antiga buscaram o Arché (princípio originário) em elementos naturais, e não em deuses.

  • Tales de Mileto: propôs a Água como princípio de tudo.
  • Anaximandro: postulou o Ápeiron (o Ilimitado) como a fonte impessoal.
  • Demócrito e Leucipo: desenvolveram o Atomismo, uma teoria mecanicista onde tudo é composto de átomos se movendo no vazio.

A revolução científica: o universo-máquina

  • Isaac Newton: suas leis descreveram um universo determinístico, como um relógio perfeito, levando à ideia de um “Deus Relojoeiro”.
  • Pierre-Simon Laplace: levou o mecanicismo ao extremo, afirmando não precisar da “hipótese” de Deus para explicar o universo.

O paradigma moderno: a Cosmogênese do Big Bang

A teoria do Big Bang é a narrativa cosmogônica central da ciência moderna, sustentada por evidências:

  1. A Expansão do Universo (descoberta de Hubble).
  2. A Radiação Cósmica de Fundo (o “eco fóssil” do Big Bang).
  3. A Nucleossíntese dos Elementos Leves (a previsão correta das abundâncias de hidrogênio e hélio).

A narrativa é um processo contínuo e épico: da singularidade inicial à inflação cósmica, formação de partículas, átomos, e finalmente, à evolução de galáxias, estrelas e planetas.

Diálogo ou conflito? A coexistência das duas narrativas

Segundo Stephen Jay Gould, Ciência e Religião (e, por extensão, Cosmogênese e Cosmogonia) seriam “Magistérios Não Intervenientes”.

  • Cosmogênese responde ao “Como?” (factual, teórico).
  • Cosmogonia responde ao “Por quê?” (significado, valor, propósito).

Sob esta visão, não haveria conflito, pois as narrativas abordam questões diferentes.

Pontos de atrito inevitáveis

No entanto, o conflito surge quando as narrativas fazem afirmações factuais concorrentes.

  • A Causa Primeira: a explicação de uma causa transcendente (Deus) versus explicações científicas (flutuações quânticas).
  • A Idade da Terra e do Universo: estimativas de milhares de anos (leitura literal de algumas cosmogonias) versus bilhões de anos (evidência científica).
  • O Lugar da Humanidade: visão antropocêntrica (propósito da criação) versus visão de um planeta comum em um universo vasto e antigo.

Da criação do cosmos à condição humana: o caso da Epopeia de Gilgamesh

No seio das cosmogonias mesopotâmicas, a Epopeia de Gilgamesh ilustra perfeitamente como a cosmogonia serve de alicerce para outras narrativas.

O Enuma Elish (cosmogonia) estabelece o palco (um mundo criado por deuses) e as regras (humanos como servos). Gilgamesh é o drama que se desenrola nesse palco, explorando o que significa viver e morrer sob essas regras. O relato do Dilúvio dentro do épico é um evento “pós-criação” que pressupõe a cosmogonia para explorar temas de sobrevivência e significado.

Nesse contexto, portanto, compreende-se a cosmogonia, não como um fim, mas como ponto de partida para a reflexão cultural e existencial.

Uma síntese possível? A criação contínua e o universo participativo

Para muitos, a síntese está em uma releitura. A visão da Criação Contínua entende Deus como agente que atua através das leis naturais descritas pela ciência. O Big Bang e a evolução seriam, então, o meio da criação.

Por outro lado, interpretações de descobertas da física quântica e cosmológica abrem espaço para visões de um universo participativo, onde a consciência humana, produto do cosmos, desempenha um papel ativo na atribuição de sentido.

Conclusion

A Cosmogonia e a Cosmogênese representam os dois braços da busca humana por suas raízes cósmicas: um que anseia por um abraço, por pertencimento e por um sentido; o outro que anseia por compreensão e por desvendar os mecanismos da realidade.

Reconhecer que ambas são expressões legítimas e profundas do espírito humano não significa abrir mão do rigor crítico. Significa compreender que a pergunta “De onde viemos?” é tão complexa quanto nós mesmos. A resposta completa talvez esteja no esforço contínuo de conciliar o que sabemos com o que sentimos, conciliar o como com o porquê.

A partir desses entendimentos, ao olharmos para o céu noturno, podemos, então, ver o palco de Marduk e Tiamat, o corpo de Ymir, o ovo de Pangu, o “Tempo do Sonho” e, também, o campo de expansão do espaço-tempo e a radiação do Big Bang.

Cosmogonia e Cosmogênese são narrativas diferentes, mas partilham uma mesma origem: a mente humana, insaciável e maravilhada, tentando encontrar seu lugar na vastidão silenciosa do cosmos.

Assim, ficam claros os dois grandes rios do pensamento que buscam explicar nossas origens: o profundo e simbólico Rio da Cosmogonia e o preciso e empírico Rio da Cosmogênese. Eles correm paralelos, às vezes se entrelaçando, outras vezes se afastando, mas ambos alimentam o mesmo oceano de compreensão humana.

Mas, afinal, como diferentes culturas explicam a origem do universo e como podemos navegar por sua imensa diversidade ao redor do globo?

Este artigo estabelece as bases conceituais desse debate. A partir dele, é possível aprofundar cada uma dessas dimensões, explorando mais detalhadamente o universo da cosmogonia, suas funções culturais, seus temas universais e suas variações ao redor do mundo.

A expedição está apenas começando!

May the Light of Love be the guide of all paths, at all times, in all circumstances, with all the people. And may Love foster Peace!


Referências bibliográficas

1. ELIADE, Mircea. O Mito do Eterno Retorno: Arquétipos e Repetição. Ed. Perspectiva, 1972.

Fundamental para entender a função do mito cosmogônico na estruturação de sociedades tradicionais, contrastando com a visão histórica linear.

2. HUBBLE, Edwin. “A Relation between Distance and Radial Velocity among Extra-Galactic Nebulae”. In: Proceedings of the National Academy of Sciences, 1929.

Artigo científico seminal que apresentou as primeiras evidências observacionais da expansão do universo, base da teoria do Big Bang.

3. LÉVI-STRAUSS, Claude. Mito e Significado. Ed. 70, 1978.

Oferece uma análise estrutural do pensamento mítico, ajudando a desvendar as estruturas comuns por trás de diversas cosmogonias.

4. HAWKING, Stephen. Uma Breve História do Tempo. Ed. Intrínseca, 2015.

Exposição acessível da cosmogênese moderna, da teoria do Big Bang aos buracos negros.

2 thoughts on “Mitos da origem do universo: Cosmogonia e Cosmogênese

  1. Caríssimo Amigo e Irmão Professor Ângelo Piovesan. Eu estou maravilhado com o que acabei de ler com muita atenção e reflexão. No Seminário eu estudei Cosmologia em um ano, com um sábio e saudoso Professor chamado Clarêncio Gusson. Fiquei muito feliz ao ler em teu texto maravilhosamente escrito com muita coisa que escutei do Prof. Gusson e nem havia entendido direito e entendi agora com a tua narração, que provocou a minha reflexão. Estou convencido de que, realmente, “Cosmogonia e Cosmogênese são narrativas diferentes, mas partilham uma mesma origem: a mente humana, insaciável e maravilhada, tentando encontrar seu lugar na vastidão silenciosa do cosmos”. Lembro até hoje da primeira aula de Cosmologia, lá em Botucatu, quando o Prof. Gusson convidou os seus alunos a irem passar um fim de semana com ele em uma chácara, que ele chamara de Quinta, lembrando que a primeira aula dele seria à noite, espreitando o céu estrelado, exatamente como Você começou a sua Aula. Parabéns. Gratíssimo. Cordiais saudações e fraternos abraços, ainda emocionados e eternamente agradecidos. Amém.

    1. Caro professor Cordão, fico feliz que tenha gostado e agradeço seu comentário entusiasmado.
      Espero que continue acompanhando e se encantando com o restante da série.
      Abração!

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